Ano novo, mesmo Go só que por dentro: o que eu vou estudar (e construir) em 2026
Buenas para você que chegou aqui no primeiro artigo do ano aqui do blog, fica aqui que tenho uma ideia para contar, mas antes deixa eu contextualizar um pouco sobre o artigo.Todo começo de ano tem um efeito curioso em mim: eu fico com vontade de reorganizar o que aprendi, principalmente nos últimos tempos, dar nome para o que eu ainda não sei, e escolher um caminho que eu consiga seguir sem depender de motivação, já que as vezes a motivação falta mas precisamos continuar, não é mesmo?
No ano passado eu escrevi sobre mudanças, direção e recomeços. Hoje eu quero fazer algo parecido, só que como um compromisso, público e mais prático: transformar 2026 o meu blog em um laboratório público de Go (talvez eu me arrependa, talvez não, mas vamos lá). Um lugar onde eu estudo, escrevo, construo, erro, ajusto… e deixo tudo documentado de um jeito útil pra quem está no mesmo barco.
E o motivo é simples: queria uma nova forma, que pudesse ser mais natural para mim em compartilhar conteúdo e percebi também que tem muita gente voltando (ou chegando) em Go agora (além de estar inserido na bolha Go, confesso, também fiz umas pesquisas rápida em redes sociais e sites de trend). Quando você olha para o que as pessoas estão procurando: interfaces, Effective Go, Go by Example, frameworks de API, JWT, etc. O que me deixou um pouco reflexivo, mas me parece que a mensagem é: 2026 começou com vontade de aprendar a base e de aplicação real. Ao longo do ano talvez faça mais sentido para você que tá lendo, mas para mim, que estou inserido na bolha Go, essa é minha percepção, inclusive parte dela acredito que pela facilitação que as IAs dão em constrair, saber a base (e até além da base) vai ajudar muito na hora de utilizar essas ferramentas.


Sim, eu sei que estamos vivendo a transformação do aprendizado, desenvolvimento de software e da engenharia de software assistida por IA, mas precisamos ter em mente que IA é uma ferramenta e para ser bom com ela precisa se ter a base. Para o meu caso, e quem quiser acompanhar, eu quero me aprofundar e ir além da base. E se for pra começar um ano, eu prefiro começar do jeito que acho certo: menos “copiar receita”, mais entender o porquê das decisões. Aí aqui vem algo importante de mencionar, pois a ideia não é vangloriar Go e dizer que é bala de prata, inclusive deve ajudar ter menos ansiedade por stack (para além da linguagem Go), trazer mais clareza de fundamentos, sabe?
Por que eu estou escrevendo isso (de novo)?
TLDR: Porque eu já caí (mais de uma vez) no modo “tutorial/estudo infinito”.
Me diga se você já não fez o mesmo estudando, onde você estuda um assunto, se empolga, abre cinco (ou mais) abas, salva vinte links, monta um repositório que não vira nada (ou fica no meio do caminho de virar algo) e quando percebe, está trabalhando ao redor do conhecimento em vez de consolidar o conhecimento.
O que eu decidi fazer diferente em 2026 é simples,e um pouco mais “difícil”: eu vou aprender com trilha, com método e com entrega. Ficou uma frase bonita né? Mas vem cá, vou explicar o que eu quero dizer com isso, pra tentar ficar além do discurso:
- Trilha, pra eu não me perder no caminho, então a ideia é montar uma trilha coerente e coesa nos meus estudos. Isso pode implicar que talvez não tenha o tema que você procure naquele momento, mas a ideia do blog agora é mais para virar um relatório do meu “laboratório”
- Método, pra eu conseguir medir se estou evoluindo de verdade (e não só consumindo conteúdo) eu vou tentar desenvolver um método no meio do caminho, focado em pesquisa. Acho que nesse ponto posso dizer que usarei, o que ainda lembro, do que aprendi durante minha graduação na parte de pesquisa.
- Entrega, porque publicar me obriga a explicar com clareza, e clareza é um ótimo detector de ilusões, sendo assim minha entrega, como se fosse um trabalho/projeto ou pesquisa mesmo.
E tem mais um detalhe que eu quero deixar reforçado desde o começo, algo que comentei na parte do método: esse laboratório não é só “estudo por estudo”. Eu quero que ele tenha um ar e se pareça com um **ambiente de pesquisa**, no sentido mais simples possível: levantar perguntas reais, testar hipóteses pequenas, registrar decisões e resultados. Isso conversa diretamente com um plano que tenho, mas que por agora vou deixar no ar, mas para quem é bom entendedor acho que já pegou a ideia, e isso sem eu precisar forçar um tema agora ou prometer algo que ainda não está pronto.
O sinal do momento: Go está puxando gente pro básico (e isso é ótimo)
Bom, por eu estar inserido na bolha Go, e ver novas pessoas no começo de ano entrando nesse mundo da linguagem, Tem um padrão que sempre aparece quando um monte de gente decide recomeçar: as buscas não são por “o framework do ano”, diferente de outras linguagens. Elas são por fundamentos que destravam o resto.
- Interfaces, porque todo mundo percebe que “entender Go” passa por composição e design, principalmente para alguém que já passou do básico e pegou versões mais recentes em tutoriais.
- Effective Go, um livro que sempre aparece como recomendação porque a linguagem importa.
- Go by Example, outro livro que sempre aparece como recomendação, só que aqui é porque a prática precisa ser rápida e concreta, e esse livro tem essa proposta.
- JWT / REST / frameworks de API, e aqui é que são temas de pessoas que geralmente tão migrando para go e com isso a pessoa quer colocar algo de pé pra ontem.
E sendo sincero, isso pra mim é um ótimo sinal. Significa que o interesse por Go não está só no hype (tudo bem que ainda existe um pouco de hype em cima): está no desejo de fazer as coisas direito, e isso vem de ser algo inerente da linguagem, que inclusive vejo outras linguagens que tem seguido por esse caminho. E é exatamente esse tipo de energia que eu quero colocar aqui.
O tema guarda-chuva que irei pesquisar, aprender e escrever em 2026: linguagem + engenharia (em Go, de verdade)
Parece um pouco amplo e complexo, e talvez seja, mas eu não quero só “fazer coisas em Go”. Eu quero entender melhor e me aprofundar Go a ponto de melhorar as minhas tomadas de decisões e discussões técnicas que tenho no meu dia a dia:
- o que abstrair
- o que manter simples
- onde separar responsabilidades
- como testar sem sofrimento
- como observar o sistema em produção
- como crescer sem virar uma bola de lama
Quem migra de linguagem, algo que é mais comum em Go, do que aprender do zero, vai entender o que estou falando. Já vi várias vezes, inclusive eu quando migrei de linguagem passei pelos pontos acima. Então o tema guarda-chuva do ano fica mais ou menos assim:
1) Go por dentro (idioma e design)
Muito se fala da simplicidade da linguagem, mas sendo sincero, depois de alguns anos trabalhando e estudando Go, fica mais claro pra mim que o “jeito Go” não é sobre ser minimalista por esporte. É sobre clareza, composição, contratos pequenos, acoplamento controlado e custo real de abstração.
2) Go em produção (engenharia aplicada)
E aqui nada adianta apenas falarmos da linguagem Go, de modo profundo sem falar de aplicação real na indústria, e aqui entram arquitetura, testes, observabilidade, concorrência, segurança, do jeito que acontece na vida real (ou pelo menos por casos que aconteceram comigo e pessoas próximas): com trade-offs, prazos, legado e sustos.
E eu vou ser honesto sobre o que eu não vou prometer:
- “aprenda tudo em 7 dias”
- “o stack definitivo”
- “o framework que resolve sua vida”
- atalhos que parecem progresso, mas viram dívida técnica
O laboratório público: um projeto pequeno, real, e com “caderno de pesquisa”
Bem, reforçando o que mencionei anteriormente aqui, além dos artigos, eu quero que 2026 tenha um fio condutor prático: um projeto-laboratório que cresça junto com as trilhas.Não é “um produto”. Não é “a startup do ano”. Que foi algo que vi em 2025, de algumas pessoas com o build in public, inclusive nada contra, mas só que por agora não é pra mim. A ideia é criar um ambiente realista pra testar decisões e consolidar fundamento.
Dessa forma, vou começar pequeno e evoluir com disciplina, testando, validando, vendo o que funciona ou não. Algumas ideias que penso em fazer:
- um CLI simples
- um backend minimalista
- uma camada de persistência
- endpoints e/ou rotinas que permitam exercitar:
- design de pacotes
- contratos de interface
- concorrência
- observabilidade
- segurança básica
Mas tá, pode parecer um pouco com o que já temos por aí, e até é também, mas aqui entra o que quero que seja diferente, “olhar de pesquisa”, sem mistificar:
- cada etapa vai ter perguntas claras
- decisões registradas como hipóteses
- e pequenas validações (mesmo que qualitativas, não só quantitativas) sobre:
- por que essa arquitetura foi melhor que outra
- onde o design ficou mais simples ou mais acoplado
- o que ficou mais fácil de testar
- o que ficou mais fácil de observar em produção
O que você pode esperar daqui pra frente (com a ideia que seja a cada uma/duas semanas)
A partir de agora, a proposta do blog em 2026 é manter um formato consistente. Em geral, cada artigo vai ter:
1) Uma ideia central simples
O que você precisa entender, escrito em português claro, pois pensei bastante já que trabalho com hispano falantes e inglês que me daria mais alcance. Mas decide começar simples e compartilha aqui mesmo.
2) Um exemplo prático
Código, decisões e por que eu escolhi daquele jeito. Não será verdade absoluta, ou algo 100% correto, mas tentarei basear minhas escolhas sempre com fundamentos. Gerando espaço para discussão de diálogo.
3) Trade-offs e “alertas de produção”
O que pode dar errado, o que muda quando escala, o que eu já vi (ou quero testar). Enfim, os resultados serão expostos para, novamente, que gere interação.
E quando fizer sentido, eu vou incluir também referências do que eu li/assisti e as minhas anotações do laboratório (o rascunho, ou um “caderno de pesquisa”)
Se você está chegando agora (ou recomeçando), você está no lugar certo
E como estamos chegando ao final do artigo, quero dizer que se você está começando Go em 2026, eu espero que esse espaço te ajude a escapar do ciclo “tutorial infinito”. Agora, se você já trabalha com backend, eu quero que você encontre aqui um jeito mais limpo de pensar decisões comuns, do tipo que a gente toma todo dia e só percebe o peso depois.
Eu não estou escrevendo isso pra parecer perfeito, nossa longe de mim isso, até porque já escrevi código com bug, já corrigi, já vi decisões tomadas que foram ótimas no curto prazo, boas no médio, mas que a longo prazo foi necessário uma nova evolução. Estou escrevendo pra construir consistência. E se tem uma coisa que eu aprendi sobre carreira e sobre software é que consistência vence entusiasmo quase sempre, por mais que me doeu aceitar essa realidade, mas é algo que comecei a ver e entender como funciona.
Então fica o convite: acompanha os próximos textos. Se fizer sentido, comenta, critica, manda dúvida, sugere tema. Eu quero que 2026 seja um ano de Go com profundidade, e com gente caminhando junto, mesmo que seja só uma pessoa, já vai estar valendo a pena.
Próximo passo (pra você não se perder também)
A verdade é que ainda não defini 100% o tema do próximo artigo, mas tenho algumas ideias que estarei validando essa semana, então me acompanha por aqui e nas redes sociais para ficar por dentro.
E se 2026 é o seu ano de aprender Go de verdade (sem pular etapas), entra na newsletter agora. Eu vou publicar nela semanalmente tanto o artigo recém lançado e também trazer curiosidades e artigos do mundo Go, ampliando o nosso laboratório público e você pode acompanhar desde o primeiro passo.